domingo, 30 de maio de 2010

Jovens se enrolam nas contas e insistem em velhos hábitos !

A estudante de direito Flávia Alves Oliveira, 22 anos, engrossa a fila dos jovens endividados. Ela viu uma conta de R$ 3,2 mil no cartão de crédito passar para R$ 6 mil com juros e ainda tem outra de R$ 300 em outro cartão, que está sem pagar. A primeira dívida foi refinanciada em 2007, com prestações de R$ 200, que ela vai acabar de pagar somente em outubro de 2011. Segundo ela, parte do problema veio do aumento do limite do banco.

“ Abri uma conta universitária, que tinha um limite de R$ 300, e como eu movimentava muito, o banco ampliou o limite para R$ 1,8 mil sem me avisar. É exatamente isso que os bancos querem. Eu fui gastando e quando o percebi já estava endividada, passava o mês inteiro no negativo pagando só a parcela mínima, e a cada mês a dívida aumentava”, lembra. Com os cartões e o cheque especial cancelados, agora ela só compra à vista.

Flavia, que divide o apartamento onde mora com uma amiga, recebe R$ 580 do estágio e mais R$ 1,4 mil dos pais. “Meus pais sabem da dívida, mas não aumentaram a minha mesada por causa disso. A minha mãe joga isso na minha cara sempre, me fala que eu estou com o nome sujo e que meu nome é tudo que eu tenho. Eu já disse pra ela que não vou parar de viver só porque o meu nome está no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito)”, diz.

A estudante diz que gasta principalmente em baladas e com o seu time de futebol, o Coritiba. Como torcedora fanática ela paga todas as mensalidades, vai a todos os eventos sociais e jogos, participa da torcida e compra uniformes. “Apoiar o time é muito caro”, afirma. Apesar das dificuldades, Flavia não sabe dizer se aprendeu a lição. “Continuo gastando mais ou menos como gastava antes, mas aprendi a priorizar as contas que precisam ser pagas, como luz, condomínio, aluguel, mensalidade do time. Mas continuo aproveitando a minha vida normalmente, não vou me enfurnar em casa por causa disso.”

O dinheiro que o estudante de engenharia civil G.T, de 23 anos, recebe do estágio todo o mês dura, em geral, até a terceira semana. “A partir daí eu entro no vermelho”, diz ele, que gasta a maior parte da sua renda de R$ 500 em eventos sociais, como baladas e saídas com amigos em bares, e na conta do celular, que chega a R$ 200. O estudante tem cartão de crédito, que usa para pagar combustível e bancar a compra parcelada de roupas mais caras.

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